Clima

Aranhas-lobo estão a ficar maiores devido ao aumento da temperatura

Estudo concluiu que esta espécie está a modificar a sua dieta alimentar por causa das alterações climáticas A boa notícia é que esta mudança pode contribuir para travar o degelo no Ártico
Bichos
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Ao contrário de outras espécies, as aranhas-lobo não constroem teias para guardar as presas (foto: Pixabay)

Uma pesquisa realizada por cientistas americanos concluiu que a aranha-lobo (Lycosa erythrognatha), que mede cerca de 1,25 centímetros de comprimento, está a ficar maior por causa das alterações climáticas. Quando a temperatura sobe, estes predadores passam a comer-se uns aos outros em vez de se alimentarem de um insecto que ajuda a reduzir os gases com efeito de estufa. Desta forma, concluem os investigadores, a mudança de dieta poderá contribuir indirectamente travar o degelo no Ártico.

Em declarações à Science Magazine, Sarah Gilman, bióloga do Claremont McKenna College, na Califórnia (EUA), sublinhou que o estudo demonstra “o qual difícil é antever os efeitos do aumento da temperatura numa determinada comunidade”.

A aranha-lobo é um dos predadores mais abundantes e dominantes no Ártico. Chegam a ter 80 vezes mais biomassa do que os lobos-cinzentos (Canis lupus) em algumas partes do Alasca (EUA). A sua principal presa são os colêmbolos (Collembola), um artrópode com apenas 0,6 centímetros de comprimento, que elas perseguem e emboscam. Por sua vez, estes animais ingerem fungos que vivem no solo e que libertam gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono e o metano, quando se alimentam de animais e plantas em decomposição.

 

Menos gases libertados

Para verificarem de que forma as aranhas-lobo podem afectar o clima, Amanda Koltz, bióloga da Universidade de Washington, em Saint Louis (Missouri, EUA), e os colegas acamparam em Toolik, no Alasca, mais concretamente no topo da cordilheira gélida de Brooks Range.

Durante várias semanas, colectaram centenas de aranhas-lobo debaixo das pedras e troncos e colocaram-nas em 30 cercados ao ar livre (cada um dos quais com quantidades diferentes de animais). Em metade deles, instalaram um equipamento que permitia aumentar a temperatura em cerca de 2º C, criando um ambiente próprio de regiões mais quentes. As aranhas-lobo mantiveram-se neste ecossistema controlado durante 14 meses.

Amanda Koltz esperava que mais aranhas-lobos, em cercados cuja temperatura era normal, significaria menos colembôlos. Mas nos cercados onde a temperatura foi artificialmente aumentada e nos quais existia um grande número de aracnídeos, também foram encontrados inúmeros colembôlos. Os investigadores verificaram também que, por isso, existiam menos fungos, menos matéria vegetal composta, e, teoricamente, menos libertação de gases com efeito de estufa.

A mesma bióloga da Universidade de Washington concluiu que quando um grande número de aranhas-lobo está numa mesma área – como acontece quando a temperatura sobe -, elas tornam-se mais competitivas. Lutam e comem-se umas às outras.

 

Aranhas reproduzem-se mais

Embora não tenha sido ainda possível determinar a quantidade de gás com efeito de estufa que não é libertado para a atmosfera, Amanda Koltz diz que a mudança na relação predador-presa e o seu impacto na decomposição do solo pode contribuir para atrasar o aquecimento do Ártico. Recorde-se que esta região está a aquecer a um ritmo duas vezes superior a outras partes do planeta, devido ao rápido degelo.

“Toda a gente adora odiar aranhas”, disse ao mesmo jornal, mas “elas têm um papel importante a desempenhar na ecologia”.

Outra consequência destas mudanças o aumento do tamanho das aranhas-lobo e do número de crias.

Ao contrário das restantes aranhas, esta não constrói uma teia para guardar as presas, pelo que o mais comum é encontra-las no chão. Elas refugiam-se em orifícios de portas e janelas, por exemplo. Para caçar, perseguem a presa, tal como os lobos (daí o seu nome), até as emboscarem e matarem. A sua esperança média de vida é de dois anos.

 

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