Perigo

Rã Romeu procura desesperadamente uma Julieta

Animal pertence a uma espécie em risco crítico de desaparecer na Bolívia. Está a decorrer uma campanha mundial de recolha de fundos para os biólogos tentarem encontrar-lhe uma companheira
Bichos
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Romeu será o último exemplar da sua espécie existente na Bolívia (Foto: Bolivian Amphibian Initiative)

Chama-se Romeu e é uma rã aquática de Sehuencas (Telmatobius yuracare), uma espécie em risco crítico de extinção na Bolívia. Foi encontrado em 2008 por cientistas e desde então, vive num aquário do Museu de História Natural Alcide d’Orbigny, na cidade colombiana de Cochabamba. A esperança dos biólogos era a de iniciarem um programa de reprodução desta espécie, mas 10 anos depois, apesar dos esforços desenvolvidos por diversas instituições, ainda não foi possível encontrar-lhe uma fêmea.

Romeu é conhecido como a rã mais solitária do mundo, por ser o único indivíduo vivo da sua espécie. A sua esperança de vida é de 15 anos, pelo que os cientistas estão a correr contra o tempo. “É urgente encontrar outros indivíduos da sua espécie para evitar a extinção”, alertou esta quarta-feira Teresa Camacho Badani, do Museu de História Natural Alcide d’Orbigny, citada pelo jornal Le Matin.

Em Fevereiro deste ano, por ocasião do Dia de S. Valentim, foi lançada uma campanha mundial de angariação de fundos pela Global Wildlife Conservation, uma organização internacional que luta contra a extinção de espécies selvagens. O objectivo é apoiar a Iniciativa Anfíbia Boliviana na procura de outras rãs aquáticas de Sehuencas e na protecção de outras espécies, como a rã aquática Titicaca (Telmatobius culeus).

De acordo com Teresa Camacho Badani, até ao momento foram angariados cerca de 25 mil dólares americanos (cerca de 21.500 euros), muito acima da meta inicial de 15 mil dólares americanos (cerca de 13 mil euros). Esta verba vai permitir lançar operações de busca de fêmeas, mesmo que na fase de girino, nos rios da Bolívia.

 

Banco de esperma

A rã aquática de Sehuencas estava identificada em menos de 10 localidades, mas chegaram a ser encontrados girinos em abundância no fundo de pequenos riachos das florestas bolivianas, entre os 2050 e os 3600 metros de altitude. Monitorizações realizadas entre 2006 e 2008 revelaram uma “alarmante diminuição” do número de indivíduos, segundo a mesma responsável.

Os biólogos acreditam que este decréscimo da população se deve a uma combinação entre um agente patogénico cítrico fatal para os anfíbios, a introdução de trutas nos cursos de água, a perda do habitat natural, a poluição e as mudanças climáticas. Acredita-se mesmo que a espécie esteja já extinta no Equador e no Peru.

O programa de busca por uma companheira para o Romeu passa por explorar a região onde a espécie existia e até mais a sul, entrevistar habitantes locais para perceber se têm visto indivíduos e recolher amostras de água para procurar vestígios de ADN que confirmem que a rã aquática de Sehuencas não está extinta.

Será também criado um biobanco de esperma e outros tecidos do Romeu para ser utilizado em fertilização in vitro, no caso de ser encontrada uma fêmea, mas o casal não consiga reproduzir-se.

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