Efeméride

Zoo de Lisboa assinala no sábado o Dia Mundial da Conservação

Visitantes vão poder conhecer melhor espécies que já estiveram extintas na natureza, mas que foram, entretanto, reintroduzidas no seu habitat natural
Fátima Mariano
Dragão-de-komodo
Dragão-de-komodo
O dragão-de-komodo é uma das espécies consideradas vulneráveis no seu habitat natural (Foto: Jardim Zoológico de Lisboa)

Cinquenta anos depois de ter sido declarado extinto na natureza, o leopardo-da-pérsia (Panthera pardus saxicolor) voltou a habitar a região de Sochi, na Rússia, graças também à colaboração do Jardim Zoológico de Lisboa. Este foi apenas um dos projectos de conservação em que o zoo tem estado envolvido desde os anos 90 do século XX, quando foi um dos co-fundadores da Associação Europeia de Zoos e Aquários.

No próximo sábado, Dia Mundial da Conservação, quem visitar o Zoo de Lisboa ficará a conhecer mais em pormenor várias espécies que estiveram extintas na natureza, mas que graças a projectos desta natureza, voltaram aos seus habitats naturais.

Além das Animal Talks, os visitantes poderão participar na oficina do mel na quintinha e contactar com o tratador do crocodilo-do-nilo (Crocodilus niloticus), um dos maiores répteis vivos, e ver de perto vários materiais zoológicos, como dentes e escamas.

Ao jornal Os Bichos, o biólogo e técnico educativo Tiago Carrilho explicou que no caso do leopardo-da-pérsia, o zoo de Lisboa ofereceu à Rússia a Andrea e o Zadig em 2012, ficando em Portugal uma cria. No ano seguinte, o casal reproduziu-se e este ano, progenitores e crias foram devolvidos à natureza.

Entre os casos de sucesso está também o do Zé Maria, um hipopótamo (Hippopotamus amphibius) que nasceu no Zoo de Lisboa e que aos oito anos de idade, viajou até Itália para conhecer uma parceira. Entretanto, já tiveram crias.

 

Estudo da genética

A conservação e reintrodução de espécies no seu habitat natural requer um conjunto de cuidados para que o processo tenha sucesso. «Estudamos, por exemplo, a genética de cada animal, como aconteceu no caso do Zé Maria, para que não haja casos de consanguinidade», refere Tiago Carrilho.

Quando se tratam de reintroduções, é necessário analisar previamente todas as condicionantes das regiões onde os animais vão ser colocados. O biólogo dá como exemplo do adax (Addax nasomaculatus), uma espécie que vive no norte de África e está em risco de extinção. Neste caso, foi necessário plantar árvores autóctones para que os animais tivessem alimento.

Já em relação aos leopardos-da-pérsia reintroduzidos na Rússia, foi necessário proibir a caça na região e perceber se havia pastoreio, para não haver conflitos entre os rebanhos e os felinos. «É também importante analisar se há predadores e presas», acrescenta Tiago Carrilho, para que o equilíbrio da cadeia alimentar se mantenha.

O biólogo salienta que os programas de sensibilização e de esclarecimento que o zoo de Lisboa promove junto dos seus visitantes são importantes para que «as pessoas dêem valor aos animais».

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