Preservação

«L Burro I L Gueiteiro» convida os visitantes a «burricar com vagar»

Aldeias de Ífanes e Paradela, no concelho de Miranda do Douro, recebem até domingo um festival itinerante que pretende divulgar o burro mirandês e o tocador de gaita-de-fole
Fátima Mariano
Burro


Divulgar o burro mirandês e o tocador de gaita-de-fole é o objectivo do festival itinerante de cultura tradicional «L Burro I L Gueiteiro» que se realiza entre esta quarta-feira e domingo nas aldeias de Ífanes e Paradela, no concelho de Miranda do Douro.

Organizado pela AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, o evento vai já na 16.ª edição. Miguel Nóvoa, secretário técnico do AEPGA, explicou ao jornal Os Bichos que as primeiras edições do festival pretenderam alertar para o perigo de extinção do burro mirandês e da música tradicional, nomeadamente do tocador de gaita-de-fole. «Este primeiro objectivo acabou por ser atingido», sublinhou.

Actualmente, a AEPGA preocupa-se em explicar os cuidados necessários para garantir o bem-estar dos animais. «Queremos que as pessoas comprem burros de forma consciente, que saibam que eles podem viver até aos 30/35 anos de idade e que precisam de cuidados», afirmou. «Se as pessoas não fizerem uma compra consciente, podem abandoná-los».

Em Portugal, existirão cerca de 2000 burros, 600 dos quais serão da raça mirandesa, segundo este responsável. A maioria é considerada animal de companhia. Embora o grau de ameaça de extinção do burro mirandês já não seja tão elevado, «há que garantir determinados cuidados para que ele tenha qualidade de vida», alerta Miguel Nóvoa.

 

Música, dança e teatro

Até domingo, haverá passeios com burros mirandeses ao som de gaitas-de-foles, aulas sobre as necessidades e os cuidados básicos a ter com estes animais, o jogo do burro, piqueniques no lameiro, teatro, dança e música, entre muitas outras actividades, nestas duas aldeias.

Miguel Nóvoa salienta que o festival itinerante de cultura tradicional é também uma «oportunidade única» para as pessoas conhecerem de forma informal a cultura e o burro do planalto mirandês e contactar directamente com as populações, que são quem conhece melhor aquelas realidades.

«Todos os anos, passamos por uma aldeia diferente. É também uma forma de estas aldeias poderem usufruir da festa», acrescentou.

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