Ciência

Inteligência artificial pode substituir animais nos testes de laboratório

Cientistas americanos desenvolveram um sistema informático que permite avaliar o nível de toxicidade de uma substância de forma mais precisa do que os testes com animais
Bichos
Animais são usados em testes da indústria farmacêutica e de cosmética para avaliar a toxicidade dos produtos

Uma equipa de investigadores da Universidade John Hopkins, em Baltimore (EUA), desenvolveu um sistema informático que permite avaliar instantaneamente o nível de toxicidade de uma substância, de forma mais precisa do que os testes realizados com animais. Os investigadores acreditam que a nova ferramenta irá ser usada de forma intensiva pela indústria química e no controlo da poluição.

«Por exemplo, o sistema poderá ajudar as autoridades numa emergência ambiental, quando um poluente é libertado e há pouca informação sobre a sua toxicidade», explicou ao jornal Finantial Times Thomas Hartung, o investigador principal.

Os cientistas usaram a inteligência artificial para analisar uma base de dados com os resultados de mais de 800 mil testes sobre 10 mil químicos diferentes. Segundo um estudo publicado na revista científica Toxicological Sciences, o sistema Rasar acertou em 87% dos casos no nível de toxicidade das amostras dos químicos, enquanto nos testes com animais, a taxa foi de 81%.

De acordo com Thomas Hartung, os resultados «sugerem que muitos testes com animais podem ser substituídos por previsões feitas por computador e com resultados mais fiáveis».

 

Milhões de animais mortos

Todos os anos, milhões de animais morrem durante os testes a que são sujeitos em laboratórios. Para testar a toxicidade dos medicamentos ou dos produtos de cosmética são sobretudo utilizados ratos, camundongos (Mus musculus) e porquinhos-da-índia (Cavia porcellus), segundo o sítio da Internet Daily Geek Show. O objectivo é verificar a toxicidade dos produtos, se uma substância causa irritação e qual a quantidade a partir da qual se torna fatal.

Enquanto desenvolviam o sistema, os cientistas verificaram que há um conjunto de testes que são realizados de forma duplicada e desnecessária. «Descobrimos que muitas vezes o mesmo químico é testado uma dúzia de vezes da mesma forma, como colocando-o nos olhos dos coelhos para ver se causa irritação», explicou Thomas Hartung.

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