Recuperação

Lobo visto fora da zona de exclusão de Chernobil pela primeira vez desde 1986

Animal foi localizado a cerca de 370 quilómetros de distância. Cientistas colocam a hipótese de que possa transmitir genes mutantes às alcateias que vivem fora da zona de exclusão
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Lobo
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Em 2016, a população estimada de lobos da zona de exclusão de Chernobil era de cerca de 300 indivíduos (Pixabay)

Um jovem lobo-cinzento (Canis lupus) foi visto fora da zona de exclusão de Chernobil, na Croácia, criada após o acidente nuclear de 1986. Em apenas três semanas, o animal foi avistado a cerca de 370 quilómetros deste local. Embora aparentemente pareça ser um lobo normal, os cientistas receiam que possam transmitir genes mutantes às alcateias que vivem fora da zona de exclusão.

A não existência de ameaças humanas transformou essa área numa espécie de reserva da vida selvagem, o que permitiu que muitas espécies animais se reproduzissem. Segundo a Sky News, os primeiros lobos começaram a ser avistados em 2016, estimando-se que na altura fossem cerca de 300, sete vezes mais do que aqueles que existiam fora dessa área.

Nesse ano, os cientistas colocaram colares com GPS em 13 adultos com mais de dois anos de idade e a um juvenil com cerca de um ano de idade para verem quão longe daquele local eles se afastariam. Verificaram que os adultos tendem a manter-se dentro da zona de exclusão, mas que o mais novo começou a aventurar-se nas redondezas.

Ao sítio da Internet Live Science, o ecologista Michael Byrne, da Universidade do Missouri (EUA), que liderou a investigação, referiu que uma das questões em aberto prende-se com o facto de os animais nascidos na zona de exclusão poderem transportar mutações. Mas em tom irónico, acrescentou: «Nenhum lobo estava a brilhar – todos têm quatro patas, dois olhos e uma cauda».

Na sequência do acidente nuclear de Chernobil, que deixou um enorme rasto de destruição, foi criada uma zona de exclusão com cerca de 4300 quilómetros quadrados, cujos níveis de radioactividade ainda hoje impedem que as populações humanas ali se fixem. A explosão que destruiu reactor em 1986 provocou a libertação de 400 vezes mais radioactividade do que a detonação da bomba atómica em Hiroshima (Japão), no dia 6 de Agosto de 1945.

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