Protesto

Cordão humano nas praias contra o furo de petróleo ao largo de Aljezur

Iniciativa, organizada pelo movimento cívico «Petróleo é má onda», realiza-se às 15 horas de sábado em vários areais do continente e das ilhas. Prospecção será feita num corredor de passagem de cetáceos
Fátima Mariano
Perfuração vai durar 46 dias e será feita de forma contínua (Foto: Pixabay)

No próximo sábado, vai formar-se um cordão humano em diversas praias do continente e ilhas contra o furo de petróleo ao largo de Aljezur aprovado pelo governo em Maio e a exploração de combustíveis fósseis em Portugal. Promovida pelo movimento cívico “Petróleo é má onda”, a iniciativa realiza-se às 15 horas e os participantes são convidados a aparecerem com uma cruz preta pintada na cara.

Em declarações ao jornal Os Bichos, Margarida Mendes, um dos membros do movimento, criticou a “falta de valores” que o ministro do Ambiente João Matos Fernandes tem revelado e a Agência Portuguesa do Ambiente ter dispensado a realização de um Estudo de Impacte Ambiental (EIA). “O nosso modelo de política energética tem que mudar”, sublinhou. “É preciso desistir das energias fósseis e apostar nas renováveis”.

Por seu lado, Ana Matias, formada em biologia marinha e também membro do movimento “Petróleo é má onda”, lembrou que a zona onde a prospecção vai ser feita pelo consórcio Eni/Galp funciona como corredor de passagem de diversos cetáceos. “A perfuração vai durar 46 dias e será feita de forma contínua. O ruído que irá gerar pode desorientar os cetáceos, que dependem do som para se orientarem e comunicarem uns com os outros”, refere.

Ana Matias salienta ainda que o local onde o furo vai ser feito é próximo de recifes de corais de águas frias, que não estão ainda mapeados. “É preciso não esquecer o princípio da precaução, que nos diz que se não sabemos o que lá está, o melhor é não mexer”, declarou.

Em relação ao argumento de que nesta fase se trata apenas de um furo de prospecção, Ana Matias lembra que o acidente que ocorreu no Golfo do México (EUA) em 2010 aconteceu, precisamente, na etapa inicial. Recorde-se que na sequência da explosão da plataforma Deepwater Horizon, quase cinco milhões de barris de petróleo foram derramados no mar durante 87 dias.

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