Terapia

Associação espanhola treina cães para protegerem vítimas de violência doméstica

Desde 2007, o Projecto ESCAN já treinou 25 cães de terapia para viverem com mulheres que foram agredidas. O mais recente é um rottweiler chamado Happy, adoptado no Canil Municipal de Torrevieja
Fátima Mariano
A associação treina sobretudo cães de pastor belga malinois e cães de pastor alemão (Foto: Jean Kyala/Pixabay)

Uma associação espanhola de protecção de vítimas de violência doméstica fundada em 2007 já treinou 25 cães de terapia para ajudarem estas mulheres a recuperarem do trauma e a protegê-las em caso de ataque.

Sedeado em Múrcia, o Projecto ESCAN prepara-se para alargar o seu trabalho às comunidades autonómicas de Valência e Castilha e Leão. Em Múrcia, estabeleceram um protocolo com o governo regional e viram já aprovada uma lei que permite as estes cães de terapia viajarem nos transportes públicos e entrarem em todos os locais, incluindo unidades de saúde.

Em declarações ao jornal Os Bichos, o coordenador nacional do ESCAN, Enrique Cruz, explicou que as mulheres que se candidatam ao projecto têm que ter uma sentença judicial que confirme a sua condição de vítima de violência doméstica e que determine o afastamento dos agressores.

Antes de serem aceites, as mulheres são sujeitas a uma avaliação prévia por parte dos psicólogos e das assistentes sociais do Projecto ESCAN. «Elas têm que conseguir estabelecer um vínculo com o cão. Pode acontecer a mulher ter medo, ser alérgica ou ter alguma incapacidade motora ou psicológica que a impeça de ter o cão», referiu. É também tida em conta as condições da habitação e a própria situação laboral. «Se for uma mulher que sai muito cedo de casa e volte muito tarde, significa que o cão vai passar muito tempo sozinho», sublinhou.

Segundo Enrique Cruz, o processo desenrola-se em três fases. No primeiro ano, o animal e a mulher vão se conhecendo para ver se se estabelece um vínculo entre eles. Segue-se a fase de treino propriamente dita e, por fim, o cão é ensinado a proteger a nova dona. «Na rua, os cães andam sempre com um açaimo com reforço metálico na frente, porque não podem morder. No caso de a mulher ser atacada, ela dá uma voz de comando ao cão para ele saltar para cima do agressor», explica o mesmo responsável.

Habitualmente, o Projecto ESCAN trabalha com cães de pastor alemão ou cães de pastor belga malinois. Contudo, esta semana vão começar a treinar um rottweiller chamado Happy. O animal encontrava-se no Canil Municipal de Torrevieja, em Alicante, depois de ter sido resgatado durante uma operação da Guardia Civil. Em declarações ao jornal El Mundo, a concelheira de Protecção Animal de Torrevieja, Carmen Morate, sublinhou que Happy «é muito grande e imponente», mas é um cão «muito dócil».

Durante os próximos meses, Happy vai ser treinado para criar vínculos com uma mulher que foi vítima de violência doméstica, para lhe devolver a confiança perdida e a auxiliar caso ela seja novamente agredida. «O impacto que estes cães têm na recuperação psicológica destas mulheres é muito grande. Não só elas se sentem mais protegidas, como também o facto de serem obrigadas a saírem de casa para os passear as ajuda a socializarem e a empoderarem-se», diz Enrique Cruz.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.