Suplementos de amor baixos em calorias

Joana Leonardo
Uma alimentação desadequada pode contribuir para a obesidade nos animais de companhia (Foto: PIxabay)

Se tem um animal de companhia, ou vários, certamente tem um grande incentivo para se sentir uma pessoa feliz.

Mas além do carinho incondicional que nos dão, está cientificamente provado que a convivência com animais domésticos previne doenças e melhora a nossa saúde.

Como exemplo disso, temos a redução de alergias, do risco de doença cardíaca, a diminuição do nível de stresse e ansiedade e do risco de depressão e a manutenção do peso ideal.

No entanto, ainda existe algum desconhecimento por parte dos tutores acerca das reais necessidades dos nossos amigos de quatro patas. O aparecimento de determinados problemas nos animais está directamente relacionado com a crescente convivência com os seres humanos, num cenário de excessos emocionais e desequilíbrios ambientais.

Um claro exemplo do que refiro é a obesidade entre os animais de companhia que está claramente a aumentar. O sedentarismo, devido à falta de tempo dos seus tutores, poderá ser preponderante, mas a alimentação desadequada, tanto em tipo como em quantidade, assume uma grande importância.

Tal como nas pessoas, o excesso de peso aumenta o risco de problemas de saúde. Felizmente, a maioria destas doenças podem ser prevenidas, para isso só é necessário manter os animais com o peso ideal.

Um animal obeso não é saudável, tem menos energia e dificuldades em passear e fazer exercício, tal como subir escadas. Em contrapartida, um animal que consiga correr e saltar será mais feliz e terá uma melhor saúde física e mental.

Os tutores têm um vínculo tão forte com o seu animal que frequentemente os alimentam por acreditarem que mesmo após as suas necessidades nutricionais estarem estabelecidas, ainda têm fome. Sempre que o seu gato mia ou o cão ladra, consideram um sinal de fome.

Muitos tutores gostam dos seus animais numa dimensão em que a comida é considerada como uma forma de demonstração de amor e preocupação.

Este amor e preocupação são compreensíveis, no entanto, a sua consequência é desastrosa.

Alimentar um animal deve providenciar os nutrientes necessários para um crescimento óptimo e um funcionamento adequado do organismo.

Gostar de um animal significa alimentá-lo com uma dieta equilibrada. Se está preocupado em perder o seu amor por fazer alguma restrição alimentar, lembre-se que existem outras formas de lhe mostrar o quanto gosta dele.

Dedicar-se a brincadeiras regulares, passeios prolongados, fornecer brinquedos de interacção física e mental ou simplesmente passar tempo com ele são formas “não alimentares” de mostrar ao seu animal o quanto gosta dele.

 

No quarto sábado de cada mês, um/a médico/a veterinário/a das clínicas Vilavet e Tavivet escreve no nosso jornal. A dr.ª Joana Leonardo é Master em «Comportamento e Bem-estar em animais de companhia» pela Universidade de Zaragoza , estando actualmente a frequentar uma pós-graduação na «Intervenção na doença comportamental em animais de companhia».  Pode contactá-la através do seguinte endereço electrónico: joanavmleonardo@gmail.com

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