Descoberta

Repertório do pardal-do-pântano começou a ser “composto” há 1537 anos

Estudo concluiu que as músicas cantadas por esta espécie sofrem pequenas variações à semelhança das histórias transmitidas por via oral na cultura humana
Bichos


Um estudo publicado este mês na revista Nature concluiu que o método de aprendizagem do canto por parte do pardal-do-pântano (Melospiza georgiana) tem permitido manter o seu repertório praticamente inalterado por um longo período de tempo. De acordo com a investigação, a sílaba mais antiga cantada por espécie tem 1537 anos e 8,6% das restantes datam de há meio século.

A equipa gravou o canto de 615 machos adultos de pardal-do-pântano pertencentes a seis populações do nordeste dos EUA, entre 5 de Maio de 2008 e 12 de Julho de 2009. O canto de cada macho foi gravado durante uma hora ou até o seu repertório ter sido cantado pelo menos 1,5 vezes.

Em laboratório, os cientistas analisaram o repertório de cada pássaro e identificaram 160 tipos de sílabas. Concluíram que a maioria dos pardais canta as mesmas músicas, usando as mesmas sílabas, embora haja variações entre as populações estudadas, da mesma forma de que na cultura humana as histórias transmitidas por via oral vão sendo modificadas com o passar do tempo e variam de região para região.

Utilizando um método de cálculo estatístico e modelos de medição da diversidade do tipo de sílabas de cada população, os investigadores conseguiram calcular de que forma as músicas se foram alterando ao longo do tempo.

Os investigadores defendem que a sua descoberta coloca por terra a teoria de que a capacidade de transmissão de tradições com precisão é uma diferença fundamental entre as culturas humana e não-humana.

Experiências anteriores realizadas em laboratório tinham já demonstrado que os pardais-do-pântano imitavam o canto dos progenitores com uma grande precisão. Este novo estudo confirma essas conclusões e reforça a ideia de que as variações das sílabas mais comuns são mais atraentes para as fêmeas do que para os machos.

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