Investigação

Novo estudo sugere que os golfinhos também fazem o luto pelos seus familiares mortos

Análise de 78 relatórios científicos elaborados entre 1970 e 2016 permitiu verificar que algumas espécies de cetáceos parecem mostram sofrimento pela morte de um membro do grupo
Bichos
Há registos em imagem de fêmeas de golfinho a transportarem o cadáver da cria durante semanas (Foto: PIxabay)

A questão tem ocupado os biologistas comportamentalistas nos últimos 50 anos: os golfinhos, à semelhança de outras espécies animais, também fazem o luto pelos seus familiares mortos? Há diversas fotografias e vídeos que mostram estes cetáceos a terem comportamentos que indiciam sofrimento pela perda de um elemento da família. Há registos de fêmeas a carregarem as suas crias mortas na boca ou no dorso durante uma semana ou mais e de machos a transportarem os cadáveres dos filhos também na boca. Significa isto que estão em luto?

Um novo estudo, coordenado por Giovanni Bearzi do Grupo de Conservação e Biologia de Golfinhos (Itália) e publicado este mês na revista Zoology, sugere que os animais com cérebros maiores e mais complexos e que vivem em grupos sociais estruturados, como os golfinhos, também sofrem pela morte de um membro da família.

Os investigadores analisaram 78 relatórios científicos elaborados entre 1970 e 2016 que faziam referência ao que designam por “comportamento de atenção post mortem” e verificaram que apenas 20 das 88 espécies de cetáceos (golfinhos e baleias) demonstravam aquele tipo de atitude. Destas, a maioria eram golfinhos-concundas-indopacíficos (Sousa chinensis) e golfinhos-roazes (Tursiops truncatus).

Segundo a Science Mag, os cientistas também encontraram uma correlação entre esses comportamentos de luto e os cetáceos com um cérebro maior e mais complexo. Os golfinhos, que vivem em grupos sociais mais estruturados, têm, em termos gerais, um cérebro maior e mais complexo do que as baleias.

“Se aceitarmos que de alguma forma os cetáceos “reconhecem” a morte – um aspecto que ainda é controverso entre os cientistas incluindo os co-autores deste estudo, então teremos que ter em consideração três fases desse comportamento de atenção post mortem”, referiu à Cosmo Magazine Giovanni Bearzi.

Na primeira fase, a fêmea tenta ressuscitar ou proteger a cria ou o adulto morto. Na segunda, o cadáver é transportado durante dias, mesmo estando já em fase de putrefacção. E, por fim, o golfinho perde o interesse no corpo e retoma o seu comportamento normal.

No entanto, apesar destas conclusões, os investigadores consideram que a questão relativa aos golfinhos se mantém em aberto.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.