Pesquisa

Investigadores gravaram vocalizações das “baleias-unicórnio” do Ártico

Estudo ajudará a compreender de que forma o aumento da actividade humana e da poluição sonora naquela região podem afectar o comportamento destes animais
Bichos

(Áudio de uma das vocalizações gravadas pelos investigadores)

Cientistas americanos e dinamarqueses gravaram 533 horas de vocalizações de narvais (Monodon monoceros), uma baleia típica do Ártico cujo dente canino superior esquerdo é comprido, razão pela qual muitas vezes é designada por “baleia-unicórnio”.

As gravações permitiram identificar três tipos de som – cliques, zumbidos e chamadas – e ajudarão os investigadores a compreenderem de que forma estes animais podem ser afectados pelo previsível crescimento da actividade humana no Ártico e o consequente aumento da poluição sonora. Os estudos anteriores foram feitos com recurso a microfones subaquáticos, cuja capacidade de registar as variações espaciais e temporais são limitadas.

Foram gravadas as vocalizações de seis narvais no leste da Gronelândia utilizando satélites e instrumentos acústicos. As gravações permitiram aos investigadores descrever a variação do comportamento acústico das baleias no tempo e no espaço.

Os cliques e os zumbidos eram produzidos sempre que localizavam alimento, enquanto as chamadas serviram para comunicarem umas com as outras. Estes últimos sons foram sempre emitidos a profundidades inferiores a 100 metros, sendo que metade foram emitidos a menos de sete metros da superfície. Os zumbidos foram registados a profundidades maiores, entre os 350 e os 650 metros.

Graças a estas gravações, os cientistas conseguiram identificar uma das áreas mais utilizadas pelos narvais para se alimentarem, já que num fiorde em particular foram registadas altas taxas de zumbidos.

Também notaram que as baleias se aperceberam da sua presença, uma vez que durante quase um dia não emitiram qualquer som, o que obrigou a equipa de investigadores a aumentar o intervalo entre gravações.

Susanna Blackwell, da Greeneridge Sciences, Incorporated, dos EUA, uma das cientistas envolvidas no estudo, explica: “Estão a ocorrer mudanças em larga escala no Ártico, com o aumento das temperaturas a provocarem a diminuição da camada de gelo no verão. O aumento da área de água sem gelo significa um acesso mais fácil para as embarcações e o aumento da actividade industrial, como a exploração de petróleo e de gás. Foi este ambiente inóspito que permitiu aos narvais manterem-se relativamente isolados durante milénios – mesmo em relação aos biólogos. Actualmente, estas novas ferramentas fantásticas permitem-nos acompanhar virtualmente estes animais”.

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