Prevenção

Sabe o que fazer com o seu animal de companhia em caso de catástrofe?

Numa situação de emergência, como o incêndio florestal que atingiu Pedrógão Grande em Junho do ano passado, há pequenos gestos que podem salvar a vida do seu animal de estimação,
Fátima Mariano
Em caso de evacuação de emergência, não se esqueça de soltar os animais acorrentados (Foto: Eloneo/Pixaba)

Há precisamente um ano, Portugal vivia um dos piores episódios da sua História. O incêndio florestal de Pedrógão Grande, um dos maiores registados em todo o mundo, causou a morte a 66 pessoas e a um número não calculado de animais (selvagens, de pecuária e de estimação).

Este ano, para evitar a repetição da tragédia, o governo lançou os programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras” com um conjunto de conselhos sobre o que fazer em caso de incêndio florestal, nos quais os animais de companhia não foram esquecidos.

À semelhança do que deve acontecer com os documentos de identificação de todos os membros da família, também o boletim sanitário dos animais deve estar num local seguro e de fácil acesso para o caso de ser necessário sair de casa à pressa. Os cães e os gatos devem ter a informação que consta no microchip actualizada ou o nome e o contacto do dono na coleira para que mais facilmente aquele seja localizado se o animal se perder.

No kit de emergência, deve incluir também comida e água para o animal de estimação, a medicação que este possa estar a tomar, a trela, a manta habitual ou um brinquedo que o ajude a acalmar e uma toalha. No caso de um incêndio, em que as temperaturas sobem muito e há o risco de as faúlhas caírem em cima do animal, “é importante molhá-lo com uma toalha encharcada”, aconselha Jorge Cid, bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários. Também é importante ter presente que as almofadas das patas dos cães e dos gatos são muito sensíveis, pelo que deve evitar que eles caminhem em pavimentos muito quentes.

As queimaduras e a inalação de fumo são duas das situações que mais atingem os animais em situação de incêndio (florestal ou urbano) pelo que, caso ocorram, devem ser rapidamente vistos por um médico ou um enfermeiro veterinário. “Por vezes, em situações de queimaduras mais graves, é necessário fazer uma limpeza cirúrgica da ferida”, explica o bastonário.

Caso não seja possível fugir para um abrigo, a Protecção Civil aconselha a manter os animais todos numa divisão da casa sob supervisão. “Facilmente, os animais entram em pânico e fogem”, alerta Jorge Cid. No entanto, em caso de uma saída apressada, em que não tenha condições de transportar o animal consigo, os cães acorrentados “devem ser soltos”, diz o mesmo responsável.

 

Em caso de evacuação

É também importante ter sempre uma transportadora à mão para os gatos e os cães de pequeno porte. “Mesmo que eles não a usem regulamente, é a melhor forma e a mais segura de os transportar numa situação de emergência”, refere o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários. “Mesmo um gato ou um cão normalmente tranquilos, em situações de catástrofe, entram facilmente em pânico e podem tornar-se agressivos até para com os próprios donos”, avisa Jorge Cid.

Caso a fuga seja feita de carro, o animal nunca deve ir solto nos bancos. “Os donos transmitem o seu nervosismo ao animal e pode haver um acidente. É preferível, por exemplo, coloca-los na mala do carro até chegarem a um local seguro”, aconselha aquele médico veterinário.

No website do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal encontra um guia com conselhos para manter os animais de companhia a salvo em situações de catástrofe (versão em inglês e castelhano), seja ela um incêndio florestal ou urbano, uma inundação ou um sismo.

Uma das dicas fornecidas consiste em colocar na janela da frente ou na porta da entrada um autocolante com o número e o tipo de animais de companhia que existem na casa, para o caso de não estar presente quando as equipas de salvamento chegarem.

No caso de outros pequenos animais e das aves, aquela organização aconselha a ter uma gaiola que possa ser facilmente utilizada e transportada em situações de emergência. É também importante ter à mão um pequeno gerador a bateria para manter a temperatura e a luz necessárias nos aquários ou nos reptilários, caso haja uma falha no fornecimento de energia eléctrica.

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