Pobreza

Pessoas sem-abrigo com animais de companhia têm ainda mais dificuldade em conseguir ajuda

Só no primeiro semestre deste ano, a Animalife já apoiou 44 pessoas e 53 animais em Lisboa. Problemática vai ser tema de debate na próxima segunda-feira no Centro de Informação Urbana de Lisboa
Fátima Mariano
Sem-abrigo com animal de companhia
Para muitas pessoas sem-abrigo, o cão ou o gato é o seu único amigo (Foto: Sara Vaccari/Pixabay)

As pessoas sem-abrigo que têm animais de companhia são muitas vezes obrigadas a escolher entre melhorar as suas condições de vida e deixar o seu cão ou gato ou continuar na mesma situação, mantendo-se junto do seu fiel amigo.

«Infelizmente, não existe uma rede de resposta que permita um apoio conjunto às pessoas e aos animais», lamenta Joana Marques, responsável pelo Programa de Apoio a Pessoas em Situação de Sem Abrigo criado pela Animalife em 2014.

Só no primeiro semestre deste ano, esta associação sem fins lucrativos já apoiou 44 pessoas sem-abrigo e 53 animais (de entre os quais um gato) em Lisboa.

A mesma responsável adiantou ao jornal Os Bichos que tem havido um aumento de pessoas e animais em situação de carência, fruto de factores com o desemprego e o aumento do valor rendas dos quartos e das casas na capital.

Joana Marques é uma das oradoras do debate Animais na pobreza e utilizados na mendicidade: que soluções?, que se realiza na segunda-feira, a partir das 18 horas, no Centro de Informação Urbana de Lisboa.

Moderado pela provedora dos Animais de Lisboa, Marisa Quaresma dos Reis, o debate contará ainda com a participação de Marta Videira, directora clínica da Casa dos Animais de Lisboa, Bruno Branco, subcomissário da PSP responsável pelo projecto Defesa Animal, Nuno Paixão, médico veterinário e consultor em comportamento animal, e Raul Farias, procurador da República.

 

Poder emocional

Joana Marques lembra que o animal tem um «grande poder emocional» junto da pessoa sem-abrigo e é, muitas vezes, «o seu único amigo».

«Muitas vezes, as pessoas têm que decidir entre tratar uma dependência, por exemplo, ou ficar com o seu animal», exemplifica. «Se já é difícil conseguir um quarto ou uma casa camarária, com um animal de companhia, mais difícil é», sublinha a mesma responsável.

Embora devagar, este ano, foram já dados passos importantes. Durante a vaga de frio, tanto no Pavilhão Desportivo da Graça como na Freguesia da Estrela, foram admitidas pessoas sem-abrigo com animais de companhia.

A Animalife sinaliza estas situações através das IPSS e associações que trabalham com a população sem-abrigo, mas também através do passa-palavra.

As pessoas e os animais são acompanhados presencialmente e de forma regular pelos voluntários da associação.

«Procedemos à identificação electrónica dos animais através do microchip, à sua desparasitação interna e externa, vacinação e esterilização», explica Joana Marques.

Sempre que possível, são também distribuídos comedouros, trelas, mantas, transportadoras e outros utensílios, bem como comida.

Este programa tem uma «grande componente de responsabilidade social» e permite «estabelecer relações de confiança» com pessoas que muitas vezes já deixaram de acreditar no ser humano, acrescenta.

Com este projecto, a Animalife espera travar o número de animais abandonados ou entregues a associações zoófilas ou centro de recolha oficial, que muitas vezes têm a sua lotação esgotada.

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