Manifestação

Em Lisboa, gritou-se: «Animais para Israel, nem mais um!»

Dezenas de pessoas marcharam esta quinta-feira entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço contra o transporte de animais vivos de Portugal para o Médio Oriente
Fátima Mariano
Animais
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(Fotos: Fátima Mariano)

Cerca de 140 pessoas manifestaram-se esta quinta-feira à tarde em Lisboa contra o transporte de animais vivos de Portugal para o Médio Oriente, em especial Israel. O protesto foi convocado pela PATAV – Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos e contou com o apoio do movimento Setúbal Animal Save – Stop Live Exports e a presença de representantes dos partidos Os Verdes e PAN – Pessoas Animais Natureza.

Esta marcha foi uma das 100 que se realizaram na quinta-feira em 30 países para assinalar, pelo terceiro ano consecutivo, o Dia Internacional Contra o Transporte de Animais Vivos, uma iniciativa promovida pela organização Compassion in World Farming, fundada no Reino Unido em 1967.

Os manifestantes caminharam entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço, onde fica o Ministério da Agricultura, sob o olhar curioso de muitos turistas, que de telemóvel ou máquina fotográfica em punho registavam o protesto e tentavam entender o que se passava. Ao longo do percurso entoaram-se slogans como «Animais para o Oriente, nunca mais!», «Animais para Israel, nem mais um!», «Na barca do inferno, o sofrimento é eterno!» ou «Animais não são mercadoria».

Mafalda Sampaio, 29 anos de idade, despertou para esta questão no ano passado. «O que se passa no transporte de animais vivos é um total desrespeito pela vida de um ser vivo», disse a Os Bichos. Ao seu lado, André Almeida, 22 anos de idade, concordava e acrescentava: «Parei de comer carne aos 19 anos depois de ter visto vídeos no YouTube sobre o que se passa nos matadouros. Aos poucos, fui percebendo que essa indústria existia porque eu e outras pessoas o permitíamos ao comprarmos carne». Hoje, André é vegano.

Presente também no protesto esteve a actriz Mafalda Luís de Castro. «Descobri a PATAV e a questão do transporte de animais vivos e fiquei chocada. Não que já não soubesse do que o ser humano é capaz de fazer», afirmou a Os Bichos. A actriz, que é uma activista pelos direitos dos animais, acredita que vai haver uma mudança para melhor porque «os Portugueses estão mais despertos para a questão do bem-estar animal».

 

Despertar consciências

Para Isabel Carmo, da PATAV, a marcha desta quinta-feira teve um balanço positivo. «Fomos o primeiro movimento em Portugal a denunciar o que se passa e verificamos que as pessoas estão cada vez mais conscientes do que se passa. Temos conseguido divulgaras nossas acções e recebemos cada vez mais apoios», disse a Os Bichos.

Joana Silva, do Partido Ecologista Os Verdes (PEV), lembrou que o transporte de animais vivos está «associado a uma lógica de exploração animal para consumo». O PEV apresentou em Maio no Parlamento um projecto de resolução que visa limitar ao máximo de oito horas o transporte de animais por via terrestre ou marítima. Em casos excepcionais, em que as viagens sejam mais longas, Os Verdes propõem a redução do número de animais transportados.

Quanto ao PAN – Pessoas Animais Natureza, Inês Sousa Real, deputada municipal em Lisboa, salientou que «Portugal não pode continuar alheio ao bem-estar animal». «Foi muito importante a expressão que assumiu esta marcha para despertar consciências», sublinhou.

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