Investigação

Três cientistas portugueses fizeram mais de 3000 quilómetros em Marrocos para estudarem borboletas

Durante duas semanas, a equipa percorreu o país de norte a sul à procura destes insectos. Objectivo é fazer o reconhecimento da variabilidade genética de quatro espécies que só existem na região do mediterrâneo ocidental
Fátima Mariano
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(Fotos: Direitos Reservados)

Três cientistas portugueses percorreram mais de 3000 quilómetros em Marrocos durante duas semanas para estudarem quatro espécies de borboletas. Eduardo Marabuto, 33 anos de idade, Miguel Nunes, 26 anos de idade, e Tatiana Moreira, 25 anos de idade, pertencem ao CoBIG2 (grupo de investigação do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) e são os três apaixonados por estes insectos.

A expedição científica realizou-se no âmbito do projecto de doutoramento de Eduardo Marabuto, que visa o estudo das populações de quatro espécies de borboletas (Zerynthia rumina, Melitaea deione, Melanargia occitanica e Melanargia ines) na área do mediterrâneo ocidental. Antes desta expedição, o grupo já fez trabalho de campo em Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia.

«Estas espécies foram escolhidas por partilharem a mesma área geográfica e só existirem entre o noroeste de Itália e o Magrebe. Eram espécies que ainda estavam mal amostradas em Marrocos, para este projecto», explica Eduardo Marabuto.

No projecto estão também envolvidos Miguel Nunes, estudante de Mestrado de Biologia Evolutiva, e Tatiana Moreira, estudante finalista de Licenciatura em Biologia na Universidade de Aveiro.

 

Borboletas ameaçadas
Durante duas semanas, pararam em 70 locais de amostragem de norte a sul de Marrocos para fazerem o inventário da presença e da ausência destas borboletas naquele país. Embora estas espécies voem habitualmente na Primavera, algumas não foram avistadas, para decepção destes jovens cientistas portugueses.

«Quase todas as borboletas em Marrocos estão ameaçadas por uma multiplicidade de factores, mas sobretudo devido à desertificação e ao sobrepastoreio. Estivemos em zonas com condições climáticas favoráveis à sua presença, mas onde não havia plantas e, por isso, não as vimos», conta o mesmo investigador.

As borboletas capturadas foram devidamente acondicionadas em envelopes especiais até chegarem a Portugal, onde foram colocadas num congelador para que o seu DNA seja preservado. «O nosso objectivo é fazer o reconhecimento da variabilidade genética destas espécies nesta área geográfica, e perceber que populações são mais distintas geneticamente», refere Miguel Nunes. Uma vez identificadas as populações em maior risco, é possível definir estratégias com vista à sua conservação.

Estes insectos são consideradas importantes bio-indicadores da qualidade ambiental por serem dos primeiros grupos a sofrerem as consequências das alterações climáticas e dos seus habitats. «Têm um tempo de vida muito curto (um ano, em média) e, por isso, basta uma geração ser exterminada, por exemplo, devido ao uso de herbicidas, para se acabar com uma população num determinado local», explica Tatiana Moreira.

 

Crowdfunding com sucesso
Para conseguirem o dinheiro necessário à expedição científica (que se realizou de 9 a 23 de Maio), recorreram ao crowdfunding. “«Achámos que esta era uma ideia fracturante, que muito poucos investigadores haviam tentado», explica Eduardo Marabuto, acrescentando. «Toda a gente gosta de borboletas, são símbolos da Natureza e muito mais facilmente alertamos para as ameaças que recaem sobre elas do que com outros animais menos coloridos».O montante pedido foi ultrapassado graças ao contributo de familiares, amigos e colegas, mas também de desconhecidos e de algumas empresas.

Uma das recompensas que ofereciam era a possibilidade de levarem uma pessoa que contribuísse com 1200 ou mais euros, o que acabou por acontecer. «Levámos uma bióloga, a Patrícia Alegria, de 26 anos de idade, que participou activamente nos nossos trabalhos de campo», diz o mesmo investigador.

Na página de Facebook da expedição, podem ver-se várias fotografias do trabalho de campo desenvolvido ao longo das duas semanas.

1 Comentário
  1. Magda Gama 2 meses atrás
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    AI este português Marabuto:”Eram espécies que ainda estavam mal amostradas em…”MAL AMOSTRADO” andas tu…! Mas MAGDAZINHA de Leiria ADORA-TE logo estás PERDOADO AMOR! E se utilizasses mal caracterizadas…aí MAGDAZINHA ENTENDIA. ..”mal amostradas= DEVE SER marroquinhês TANGERINÊS!

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