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Se for à esquadra da PSP de São Marcos, não estranhe se vir lá uma cadela

Gift, uma arraçada de Cão de Pastor Alemão com Cão de Pastor Belga, acompanha várias vezes o agente Bruno Silva no trabalho. Cadela está treinada para detectar hipoglicemias em pessoas portadoras de diabetes tipo 1
Fátima Mariano
Cão
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(Fotos: Fátima Mariano)

Mal entramos na esquadra da PSP de São Marcos, no Cacém (concelho de Sintra), somos recebidos com um vigoroso abanar de cauda e umas quantas lambidelas, como se o amanhã não existisse. Quem nos dá as boas-vindas desta forma efusiva é Gift, uma cadela com 18 meses de idade, cruzada de Cão de Pastor Alemão com Cão de Pastor Belga, que várias vezes por semana acompanha o tutor, o agente Bruno Filipe Silva, durante o horário de trabalho.

Gift é um dos cães treinados pela Associação Pata D’Açúcar – Medical Dogs for Diabetics para detectar situações de hipoglicemia (quebra abrupta dos níveis de açúcar no sangue, que pode causar a morte) em pessoas portadoras de diabetes tipo 1. Apesar do seu porte, passa praticamente despercebida na rotina da esquadra. “Só quando entra alguém com um animal é que ela ladra”, conta o tutor.

Bruno Filipe Silva, 34 anos de idade, descobriu que era portador de diabetes tipo 1 durante o curso de formação de agentes da PSP, há cerca de 13 anos. “Emagreci muito e de repente, sentia-me cansado e com muita vontade de beber refrigerantes. Os meus familiares aconselharam-me a fazer os exames de despiste da diabetes e assim fiz”, recorda ao jornal Os Bichos na esquadra onde trabalha há oito anos, enquanto Gift, mais calma, fecha os olhos como que a querer dormir.

Os resultados dos exames médicos chegaram pouco tempo depois. “Foi um choque porque comecei a ver a minha vida a andar para trás. Aos 21 anos de idade, pensamos que somos imortais”, diz. A partir de então, a vida de Bruno Silva alterou-se: “Tive que começar a controlar os índices de glicemia e a administrar insulina. Ao nível alimentar, mudei bastante. Não era muito de comer sopa e agora não a dispenso. Também não era muito amigo de peixe… Demorei bastante tempo até conseguir controlar a diabetes”.

A doença nunca o impediu de ter uma vida normal. Com o apoio da família e dos colegas das esquadras por onde passou, conseguiu ter sempre os horários das refeições controlados e aos primeiros sintomas de hipoglicemia, atacar logo. Apesar disso, confessa, nunca foi um “diabético exemplar”.

 

Uma Gift para a vida
No ano passado, a vida de Bruno e da mulher melhorou com a chegada de Gift (“Presente”, em português). Através de Nuno Benedito, a quem pediram para treinar Sushi, o Braco Alemão da família que não socializava com pessoas ou animais, conheceram a Associação Pata d’Açúcar, da qual ele é presidente.

“Oferecemo-nos para ficar com ela durante algumas semanas, na fase em que ela precisava de aprender a socializar. Fiquei logo derretido”, confessa Bruno Silva, enquanto troca olhares de cumplicidade com Gift, que deve o nome aos padrinhos, o grupo musical português The Gift. Quando abriu a fase de candidaturas à tutela de um cão de assistência médica, Bruno Silva não hesitou e inscreveu-se. Estão juntos desde Dezembro.

“Em casa, já me detectou várias situações de hipoglicemia. Nessas alturas, bate-me com a pata e lambe-me as mãos. Foi o método que ela escolheu sozinha para me alertar”, conta. Também na esquadra, Gift já marcou várias baixas de glicemia. “Um dia, estava quase a terminar o registo de uma queixa quando comecei a ter sintomas de hipoglicemia. Como eram ligeiros e estava quase a terminar, não queria parar. Mas tive que o fazer porque ela começou a bater-me insistentemente com a pata”, recorda.

Normalmente, Gift acompanha o dono no trabalho quando ele faz os turnos da manhã ou da tarde. Bruno Silva teve que pedir autorização à PSP para que ela possa estar na esquadra. “Ninguém me colocou entraves. O comandante da esquadra foi muito sensível à questão e foi o primeiro a dizer para ela vir”, sublinha. “Ao princípio, as pessoas que eu atendia perguntavam-me se ela tinha sido abandonada. Agora, todas se derretem com ela”.

9 Comentários
  1. Bruno 5 meses atrás
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    Não compreendo como pode a PSP compactuar com uma entidade que não tem qualquer acreditação nem é recomendada pelo INR.

    • Mario 5 meses atrás
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      Muitas entidades que não têem certificação desenvolvem trabalho de qualidade e relevo.
      Aliás, por vezes a dita “certificação” apenas espelha a adesão ao compadrio e corrupção. Estou a lembrar-me daquela instituição e da sua gestora/respinsavel/dona, de que tanto se falou há pouco tempo, e agora anda escondida a ver se a memória da sociedade é mesmo curta

    • Isabel 5 meses atrás
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      Quer melhor acreditacao que o exemplo real dessa cadela? “Compactuar”, é uma palavra demasiado forte e descabida neste contexto.

    • Mafalda 5 meses atrás
      Responder

      Está mal informado, a acreditação e/ou credenciação na maioria das vezes é só um papel, nem sequer é obrigatório é mais uma performance, tudo muito organizado assim que é aceite nem existe fiscalização. O importante é o profissionalismo, Competência e qualidade.

  2. Sandra Vinhas 5 meses atrás
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    Adorei a notícia ❤️ estão de parabéns nessa esquadra, iniciativa incrível. Bem haja a todos k gostam da Gift😊

  3. Paula Mendes 5 meses atrás
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    Concordo plenamente pois tenho um filho com diabetes tipo 1 que tem uma cadela que é a luz dos olhos dele à pessoas que falam do que não sabem.
    Bem aja a todos os agentes dessa esquadra .

  4. Céu Barata 5 meses atrás
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    Adoro quem trata bem um animal ❤ que sejam muito felizes porque os animais são a melhor coisa que há no mundo.

  5. Isabel 5 meses atrás
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    Bem hajam. Parabéns pela mente aberta. Já não é sem tempo. Bom exemplo.

  6. Cristina 5 meses atrás
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    Entrevista muito bem estruturada e que foca os pontos essenciais. A Gift é realmente um “gift” para a vida, e parabéns à PSP pelo acolhimento de forma imediata deste projeto!

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