Manifestação

Portugal junta-se à marcha mundial contra o transporte de animais vivos

Para quinta-feira, estão marcados protestos em 30 países dos seis continentes. Em Setúbal, realiza-se uma acção de denúncia na Praça du Bocage. Marcha em Lisboa parte às 18.30 horas do Cais do Sodré em direcção ao Ministério da Agricultura
Fátima Mariano
Vaca
Ovelha
Ovelha
Ovelha
Vaca
Vaca
Vaca

(Fotos: PATAV – Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos)

Todo os anos, segundo o movimento Stop Live Transport, milhões de animais vivos fazem viagens de longa distância sem que estejam garantidas as condições mínimas de segurança, de higiene e de alimentação. Durante o transporte, os animais sofrem de exaustão, desidratação, stress e dor. Muitos adoecem e vários acabam por morrer.

Para exigir ao poder político que coloque um ponto final a estas situações e alertar a opinião pública, esta quinta-feira, 14 de Junho, assinala-se pelo terceiro ano consecutivo o Dia Internacional Contra o Transporte de Animais Vivos, uma iniciativa promovida pela organização Compassion in World Farming, fundada em 1967 no Reino Unido.

Estão previstas mais de 100 manifestações em 30 países dos seis continentes, incluindo Portugal. Em Setúbal, o movimento Setúbal Animal Save promove na Praça du Bocage, entre as 10 horas e as 15 horas, uma acção de denúncia junto da população. A partir das 18.30 horas, realiza-se em Lisboa uma marcha de protesto organizada pela PATAV – Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos.  A marcha partirá do Cais do Sodré em direcção ao Terreiro do Paço, onde funciona o Ministério da Agricultura, e contará com a presença de várias figuras públicas, entre as quais a actriz Mafalda Luís de Castro.

A data não foi escolhida ao acaso. No dia 14 de Junho de 2015, o navio Trust1 atracou em Berbera, na Somália com 13 mil ovelhas mortas. A viagem tinha começado 23 dias antes em Midia, na Roménia. Na primeira paragem, na Jordânia, cinco mil animais já tinham morrido de fome, desidratação e exaustão. As autoridades portuárias ordenaram ao capitão do navio que atirasse os cadáveres ao mar, desinfetasse a embarcação e alimentasse os animais vivos, mas ele desobedeceu e prosseguiu a viagem.

 

A realidade portuguesa

Segundo a PATAV, apoiando-se em dados disponibilizados pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, o número de animais exportados tem vindo a crescer.  Em 2015, foram enviados para Israel 9228 bovinos. No ano seguinte, 49.993 e em 2017, 63.616. No caso dos ovinos, cuja exportação começou em 2016, subiu dos 33.209 para os 34.426 no ano passado. “Já exportámos um navio para a Argélia e o mercado egípcio também já está aberto”, referiu a Os Bichos Constança Carvalho, membro da PATAV.

Este movimento cívico foi criado em Fevereiro de 2017 por um grupo de pessoas indignadas com a forma como é feito o transporte de animais vivos de Portugal para o Médio Oriente. “Decidimos agir e denunciar o que se passa”, conta a mesma responsável. “Consideramos imoral e insustentável do ponto de vista ambiental o transporte de animais vivos por via marítima para países terceiros”.

As vacas e ovelhas partem dos portos de Sines e de Setúbal em navios nos quais não segue qualquer veterinário que fiscalize as condições em que são transportadas e desembarcadas, denuncia a PATAV. O movimento tem documentado em vídeo várias operações de embarque dos animais no porto de Setúbal.

“No início, identificámos uma enorme quantidade de irregularidades. As infracções têm vindo a diminuir, mas continuam. Recentemente, começaram a colocar lonas nos locais de embarque ou a fazer as operações durante a noite para que nós não consigamos filmar”, critica Constança Carvalho.

A PATAV pretende que se ponha um fim ao transporte de animais vivos por via marítima de Portugal para o Médio Oriente. “Se a nossa cultura condena o corte de tendões como prática de imobilização dos animais, como pode aceitar que eles sejam enviados para países onde isso acontece?”, pergunta Constança Carvalho.

 

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