Crueldade

Dentes arrancados a golfinhos na Indonésia para não magoarem os turistas

Relatório da organização internacional World Animal Protection revela que os animais vivem em situações deploráveis em 96% dos espaços de diversão turística que visitou neste país
Fátima Mariano
Obrigar os golfinhos a saltarem para fora da piscina é um acto anti-natura para eles e pode causar-lhes graves problemas físicos (Foto: Pixabay)

Em Bali, na Indonésia, há golfinhos cujos dentes são limados ou arrancados para não ferirem os turistas que com eles interagem nas piscinas dos espaços de diversão turística. Este é apenas um dos casos de crimes praticados contra animais neste país asiático denunciados num relatório recente da World Animal Protection (WAP), uma organização internacional sem fins lucrativos que luta pelo bem-estar animal.

Durante o mês de Novembro de 2017, elementos da WAP visitaram 26 locais nas ilhas de Bali, Lombok e Gili Trawangan, que oferecem aos seus visitantes a possibilidade de interagirem com animais selvagens, como os golfinhos, elefantes, orangotangos e tartarugas, entre outros.

No caso dos golfinhos, segundo o mesmo relatório, muitos deles são capturados e transportados para os empreendimentos turísticos ilegalmente, o que lhes causa grandes traumas psicológicos. Obrigar estes mamíferos marinhos a executarem determinadas tarefas, como saltar para fora da piscina, não é natural nestes animais e pode causar-lhes sérios problemas físicos.

“Quanto mais tempo um golfinho estiver fora de água, maiores são as probabilidades de desenvolverem exaustação pelo calor e desidratação”, pode ler-se no documento. Numa das situações, foram vistos quatro golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) numa pequena piscina com apenas três metros de profundidade.

Tirar selfies com animais selvagens é outra das actividades que estes locais oferecem, “sem qualquer preocupação com o seu conforto”. Alguns desses animais, como é o caso do urso-gato-asiático (Arctictis binturong) e das civetas (Civettictis civetta), estão activos apenas durante a noite ou durante o crepúsculo. Contudo, nestes espaços, convivem com os turistas durante o dia, quando naturalmente deveriam estar a dormir.

Os jovens orangotangos tomam banho todas as manhãs para estarem cheirosos e usam fralda para não sujarem os turistas. Se não se comportarem como é esperado de modo a que o visitante possa tirar uma fotografia ao seu lado, são castigados, refere o relatório da WAP.

Quanto aos elefantes, apesar do seu tamanho, podem sofrer dor e desconforto quando são selados diariamente e têm que carregar várias pessoas ao longo do dia no pescoço e no dorso. O processo de treino para que façam essas viagens com os turistas é intenso e stressante. Estes animais, quando muito cansados, podem ficar doentes ou auto-ferirem-se ou mesmo tornarem-se agressivos para com os treinadores ou os turistas que com eles interagem.

De acordo com esta organização, 96% dos locais visitados oferecem condições de acolhimento muito deficientes aos seus animais. “É uma tragédia que Bali, um destino tão bonito para os turistas, force os seus animais selvagens a suportarem condições tão grotescas e horríficas”, critica Steve McIvor, o CEO da WAP.

 

Veja aqui as fotografias de alguns dos animais vítimas de mau-tratos por causa do turismo.

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