Livro

O mundo dos humanos visto através dos «pequenos olhos» de um cão

«através dos meus pequenos olhos» conta a história de Cross, um golden retriever, e do seu dono, Mario, um jovem cego. Por cada exemplar vendido, um euro reverte a favor do treino de um cão-guia.
Bichos

Da autoria do espanhol Emilio Ortiz, através dos meus pequenos olhos (Porto Editora) conta a história de Mario, um jovem invisual que inicialmente assume que não gosta muito de animais, mas que acaba rendido aos encantos de Cross, um cão-guia de raça golden retriever. Os dois conhecem-se numa escola para invisuais nos Estados Unidos da América, quando Cross tinha apenas 19 meses de idade e Mario andava na casa dos 20 anos de idade.

Cross é o mais rebelde dos cães-guia. Prefere brindar os canteiros das flores ou os postes com um chichi («Que estranha forma de raça, a dos seres de duas patas, quando sabe tão bem fazer essas coisas ao ar livre!»), comer tudo o que conseguisse abocanhar («adorava vê-los, a eles [os humanos], a comerem apenas uma vez por dia») ou roer um par de chinelos ou de sapatos.

É Cross, através dos seus pequenos olhos, quem nos relata o que se passa no mundo dos «humanóides». Cross fala-nos da ligação profunda que se estabelece entre um cão-guia e o seu dono («O vínculo não é uma mera ligação entre dois seres […]: é uma unidade formadas por dois seres de espécies distintas.»), mas não só. Fala também de cumplicidade, lealdade, discriminação, dos obstáculos que os invisuais têm que ultrapassar diariamente, do amor e da esperança.

O autor de através dos meus pequenos olhos, que nasceu com uma deficiência visual e actualmente é cego, tem o seu próprio cão-guia, Spock, que, segundo ele, é quase tão travesso como Cross.

Por cada exemplar do livro vendido, um euro reverte a favor do treino de um cão-guia.

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