Investigação

Sistema de reconhecimento facial pode ajudar a salvar primatas em risco

Cientistas da Universidade Estadual do Michigan (EUA) criaram uma app que poderá ajudar a travar o comércio ilegal destas espécies
Bichos
Macaco dourado
Os lémures são uma das espécies de primatas em risco de extinção, devido à destruição do seu habitat natural (Foto: Inspired Images/Pixabay)

Um novo software de reconhecimento facial e uma app criadas por uma equipa da Universidade Estadual do Michigan (EUA) poderão ajudar a proteger os primatas ameaçados. De acordo com a MSU (sigla em inglês), 60% destes mamíferos encontram-se em risco de extinção, devido à destruição do seu habitat natural e ao comércio ilegal de espécies.

Anil Jain, professor de ciência computacional e engenharia e um dos autores deste estudo, alerta para a necessidade de travar este processo e de recuperar as populações em declínio. “O reconhecimento facial automatizado é uma das formas que temos para combater estas perdas”, sublinha.

Juntamente Debayan Deb, um estudante de doutoramento, Anil Jain criou o PrimNet, um programa que utiliza redes neurais, tecnologia de inteligência artificial que permite, por exemplo, que os veículos sem condutor circulem ou que os robôs observem e entendam o nosso mundo.

Das 504 espécies de primatas já registadas na base de dados do PrimNet, 300 estão em risco de extinção, segundo a revista Galileu. De entre estas, encontram-se os gorilas, macacos, gibões e lémures, entre outros.

 

Combate ao tráfico ilegal
Além do PrimNet, os dois cientistas criaram a app PrimID que permite aos biólogos no terreno identificarem os primatas com uma simples fotografia. Em muitos casos, segundo a Universidade Estadual do Michigan, a precisão do PrimID é de 90%. Testes realizados com lémures resultaram numa precisão de 93,75%. Caso a app não consiga reconhecer o animal, exibirá cinco fotografias que estão na base de dados de potenciais candidatos.

Este método de identificação e de acompanhamento dos indivíduos de cada espécie é mais barato e menos invasivo do que os tradicionais. Normalmente, colocam-se dispositivos electrónicos nos animais para lhes seguir o rasto, o que por vezes lhes cria situações de stress ou provoca ferimentos graves.

Esta nova aplicação (disponível apenas para Android) também pode ajudar a combater o tráfico ilegal de primatas. Basta fotografar o animal, carregar a foto no PrimID e saber qual a sua origem.

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