Alentejo

Curiosas e desconfiadas, mas muito dóceis: assim são as alpacas da família Reintjes

Casal de holandeses, que se mudou para Portugal há 16 anos com os quatro filhos, vive com 11 destes animais originários da América do Sul numa quinta às portas da vila de Redondo
Fátima Mariano
Alpacas
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As alpacas são da família dos camelos e das lamas e são animais muito desconfiados (foto: José Sérgio)
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Cada fêmea tem apenas uma cria de cada vez, que nasce quase sempre durante o dia (foto: José Sérgio)
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As alpacas são oriundas dos países da América do Sul, mas podem ser encontradas noutras regiões (foto: José Sérgio)
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As primeiras quatro alpacas da família Reitjes chegaram em Janeiro de 2013 vindas da Holanda (foto: José Sérgio)
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Anne-Marie e Gérard Reitjes vivem na Quinta do Sameiro, no Redondo, com 11 alpacas (foto: José Sérgio)

Primeiro, estranham-nos. Olham-nos fixamente, de orelhas arrebitadas e o pequeno rabo alçado. Depois, aos poucos, vão-se aproximando. Cheiram-nos, tocam-nos até finalmente perceberem que não representamos qualquer perigo e voltam a afastar-se. As alpacas (Vicugna pacos) são animais dóceis, mas muito curiosos e desconfiados, tendo fama de cuspirem quando se sentem ameaçados. São originárias da América do Sul (Chile, Peru e Bolívia), mas podemos encontrá-las um pouco por todo o mundo, incluindo em Portugal.

Na Quinta do Sameiro, em Redondo (distrito de Évora), vive uma família de 11 elementos (nove adultos e duas crias). Os quatro primeiros vieram da Holanda em Janeiro de 2013, depois de uma das filhas de Anne-Marie e Gérard Reintjes ter visto algumas fotos na Internet e de se ter literalmente apaixonado por estes animais. «Contactámos uma quinta na Holanda e fomos lá conhecer as alpacas», recorda Anne-Marie, 51 anos de idade. Acabaram por se render todos à beleza e à doçura destes bichos e compraram dois casais.

A viagem para Portugal não foi fácil. Além de o processo ser muito burocrático, queixa-se Gérard, 54 anos de idade, o SNIRA (Sistema Nacional de Informação e Registo Animal) não aceitava a inscrição de alpacas. Apenas de lamas (da mesma família, mas maiores). «Foi muito complicado, mas não desisti. Alpacas são alpacas, lamas são lamas», esclarece. Nasceu assim o projecto Cocktail Alpaca, de criação e venda destes animais (uma fêmea pode custar entre 2000 a 5000 euros; um macho, entre mil a 2000 mil euros).

 

Uma família verdadeiramente multi-espécie

Anne-Marie e Gérard mudaram-se com os filhos (três raparigas e um rapaz) de Leunen, perto de Eindhoven (Holanda), para Portugal há cerca de 16 anos. Nos primeiros 10, viveram em Sobral da Adiça, concelho de Moura; há seis anos, instalaram-se na Quinta do Sameiro, em Redondo, onde vivem rodeados de várias espécies de animais. Além das alpacas, têm cães, ovelhas, póneis e diversos tipos de aves. Já tiveram vacas. São assumidamente uma família que não consegue viver sem animais por perto. Anne-Marie confessa que gostaria de ter também avestruzes, mas o marido prontamente responde que já têm demasiado trabalho a cuidar das dezenas de animais que vivem na quinta.

Todos os dias de manhã, antes de partirem para os respectivos empregos (ela trabalha numa vacaria; ele, por conta própria e o filho, o único que ainda vive em casa, realiza trabalhos agrícolas), deixam os animais devidamente cuidados. À tarde, a rotina repete-se. Na altura de tosquiar as alpacas (entre Abril e Maio) ou quando marcam presença em eventos para divulgar estes animais em Portugal, o trabalho aumenta.

Estes bichos não são ainda muito conhecidos em terras lusas. Mesmo em Redondo, são poucas as pessoas que sabem que vive uma família destes bichos mesmo às portas da vila. Por isso, Anne-Marie e Gérard estão a pensar promover um dia aberto durante o qual convidarão os habitantes de Redondo a conhecer as suas alpacas: Bellona, Nady, Jasmine, Marcel, Blacky, Pearl, Pandora, Mellen, Quincy, Kenya e Olaf.

 

Lã de alpacas

As alpacas da família Reintjes são da raça Huacaya (a mais comum no mundo), que se distingue por ter uma lã mais forte, mas também mais curta, embora seja suave e fina. Existem também as alpacas Suri, cuja lã é muito mais sedosa e brilhante e cai pelo corpo como se fossem «rastas». Tal como as ovelhas, as alpacas também são tosquiadas para aguentarem melhor o calor e aproveitar-se a lã, uma fibra à prova de água e do fogo e hipoalergénica. No caso das fêmeas que tenham tido crias, o corte da lã permite que estas encontrem mais facilmente a mama da mãe.

Cada animal produz entre três a cinco quilos de lã por ano. Existem 22 cores naturais de lã de alpaca e 200 tipos de misturas. Devido à pouca quantidade de lã que obtém anualmente, Anne-Marie e Gérard não conseguem escoá-la para a indústria têxtil, mas já venderam a pequenos artesãos.

O corte da lã não é uma operação da qual as alpacas gostem particularmente, apesar de ficarem mais frescas. «Temos que as deitar e atar-lhes as patas porque ficam muito agitadas», explica Anne-Marie. No caso das crias, as mães ficam sempre por perto para as acalmarem. Na altura da tosquia, são também alisados os dentes e cortados os cascos.

 

Quase um ano de gestação

As alpacas nascem quase sempre durante o dia (a gestação dura quase um ano e normalmente nasce apenas uma cria), pois ao contrário do que acontece com outras espécies de mamíferos, a mãe não lambe a cria após o parto. É importante que o recém-nascido beba o primeiro leite que sai da mama da mãe, pois contém nutrientes importantes para o sistema imunitário.

Na Quinta do Sameiro, existem actualmente duas crias – a Quincy e a Kenya -, ambas nascidas em Outubro do ano passado. Não se afastam muito da mãe e não se aproximam de nós, como os adultos, mas olham-nos igualmente com um ar desconfiado. Ao fim de algum tempo, depois do primeiro impacto, jovens e menos jovens descontraem-se e voltam à sua rotina, completamente indiferentes à nossa presença.

Veja aqui o vídeo da reportagem.

 

3 Comentários
  1. Hugo 6 meses atrás
    Responder

    Olá Fátima, estes animais são de facto fantásticos. Para além de extremamente interessantes no aspecto físico e comportamental como referes, são ainda, junto com os lamas e outros camelideos, responsáveis por gerarem uma nova classe de medicamentos que estão a revolucionar a indústria farmacêutica. Deixo aqui o site de um artigo recente da Nature
    https://www.nature.com/articles/nbt1217-1115

    Beijinhos

    • Fátima Mariano
      Fátima Mariano 6 meses atrás
      Responder

      Olá, Hugo. Não conseguimos ler o artigo, porque está em sistema fechado, mas obrigada pela dica. 😉

      Beijinhos e continua a visitar-nos.

  2. Tijman 6 meses atrás
    Responder

    Geweldige lokatie!
    Hele lieve mensen!
    Prachtig huisje met zwembad en de dieren zijn zo enorm leuk en grappif👍🏻

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