Segurança

Quando os cães também vão «prà tropa»

Módulo Cinotécnico da Polícia do Exército tem 13 animais preparados para desempenharem tarefas tão diferentes como a vigilância dos paióis de Santa Margarida e o combate ao consumo de drogas nos quartéis
Fátima Mariano
Exército

 

cães
Da esquerda para a direira: soldado D. Pina e Gila; soldado G. Santos e Becky; soldado B. Santos e Enzo; 1.º sargento F. Santos e Bandit; tenente G. Fernandes e Madiba; 1.º sargento J. Araújo e Julie; 2.º cabo J. Monteiro e Bob; soldado R. Costa e Becas; soldado P. Silva e Shanti (Foto: José Sérgio)

«Buuuusca!»

Ao som da palavra de ordem do soldado Costa, Becas, uma cadela de pastor alemão de cinco anos de idade, corre pelo descampado à procura de uma pessoa cujo paradeiro é desconhecido. Anda aos círculos umas vezes, aos ziguezagues, outras, sempre com o nariz rente ao chão para apanhar o rasto do odor, até que por fim encontra a «vítima». Ladra efusivamente para dar o alerta e espera que o militar a recompense oferecendo-lhe o seu brinquedo preferido.

A busca e salvamento é uma das valências dos binómios (equipa homem/cão) do Módulo Cinotécnico da Polícia do Exército instalado no Regimento de Lanceiros n.º 2 (Amadora). Estes animais são também treinados para acções de manutenção da ordem pública e detecção de estupefacientes e explosivos. Alguns são peritos em mais do que uma função. Ao nível das forças armadas e de segurança portuguesas, estes «são os únicos cães com dupla valência», diz, orgulhoso, o tenente de cavalaria Fernandes, comandante do Módulo Cinotécnico.

 

Passar na inspecção

Actualmente, esta unidade tem 13 cães completamente operacionais. O efectivo é mantido através da compra ou da doação de animais. Os treinos começam idealmente aos três meses de idade e é durante esta fase que se percebe a qual das valências o cão melhor se adapta. Não há raças que se adeqúem mais a uma função do que a outra. Cada cão é um indivíduo e tem que ser avaliado enquanto tal. Há animais que quando estão em modo «descanso» são extremamente acanhados e inseguros, mas quando vão trabalhar, são extremamente profissionais e capazes.

Quando um militar integra o Módulo Cinotécnico, é-lhe atribuído um animal com entre seis a 12 meses de idade, que o acompanha até ao final do seu contrato com o Exército (normalmente, de seis anos). Quando regressa à vida civil, na maioria dos casos, o cão acompanha-o ou passa para outro operador cinotécnico (designação do elemento humano do binómio).

Há situações várias em que o animal deixa de ter capacidades para continuar a desempenhar a sua função antes de o militar sair do Exército. Nestes casos, entra na reforma e pode ser adoptado também por civis. «Em qualquer dos casos, antes de o animal ser abatido ao efectivo, fazemos a chamada extinção do comportamento para que na vida civil não reaja como se estivesse a trabalhar. Se for entregue a civis, eles vêm cá regularmente para que criem laços com o cão», explica o comandante do Módulo Cinotécnico da Polícia do Exército.

 

Cães com múltiplas valências

São diversos os contextos nos quais os binómios da Polícia do Exército intervêm. Na sequência do assalto aos paióis de Tancos e a consequente transferência do material para as instalações militares de Santa Margarida, em Santarém, as equipas do Módulo Cinotécnico passaram a fazer rondas inopinadas para reforçar o sistema de segurança. «Sobretudo à noite, em que visibilidade humana é muito mais reduzida. Aí, os cães são uma mais valia, porque vêem melhor e podem utilizar também o faro», explica o mesmo responsável.

Com frequência, os binómios visitam também as unidades do Exército que funcionam no continente, no âmbito do programa de prevenção e combate ao consumo de álcool e de estupefacientes. «Não é possível garantir que o cão consiga detectar todo o tipo de droga, mas pelo menos o haxixe, a cocaína, a liamba e a heroína, ele identifica», exemplifica o tenente Fernandes. O mesmo se passa com os explosivos (convencionais e não convencionais).

Os cães empenhados na manutenção da ordem pública são «um meio não letal de imobilização». «A nossa preocupação é garantir que não é causada qualquer hemorragia ao alvo e que o cão não é agredido», refere o mesmo oficial. Por esse motivo, os animais são treinados para morderem na parte de cima do corpo do suspeito, de preferência nos braços, para evitar que sejam atacados. Já houve casos de cães que mesmo gravemente feridos não largaram o suspeito até os militares o manietarem, mostrando que estão empenhados a cumprir o seu trabalho até nas mais difíceis circunstâncias.

Veja aqui o vídeo da reportagem.

1 Comentário
  1. Gilberto 3 meses atrás
    Responder

    Um artigo sucinto, mas detalhado em que mostra a realidade de uma subunidade do Exército Português, em que a dedicação e o esforço dos diversos binómios, contribuem para a o cumprimento das inúmeras missões e tarefas atribuídas ao Módulo Cinotécnico. Um bem haja!!

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