Investigação

Cientistas conseguem provar que os animais também recordam eventos do passado

Descoberta feita por investigadores de uma universidade americana pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos usados no tratamento das demências em seres humanos
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Durante um ano, 13 ratos de laboratório foram treinados para memorizarem 12 odores diferentes (Foto: Sarah Fleming)

Uma equipa de cientistas da Universidade de Indiana (EUA) encontrou evidências de que as memórias dos animais não-humanos são duradouras e resistentes à interferência de outras memórias. Os resultados desta investigação, que foram publicados recentemente na revista Current Biology, irão permitir desenvolver novas drogas de combate às demências, nomeadamente à doença de Alzheimer.

Durante cerca de um ano, o grupo de investigadores treinou 13 ratos para memorizarem 12 odores diferentes. Numa primeira fase, os animais foram colocados numa espécie de arena com todos esses odores. Quando identificaram o penúltimo e o antes do antepenúltimo odor da lista, os cientistas recompensaram-nos.

Passaram depois à fase dos testes. Antes de cada um, era alterado o número de odores da lista para confirmar que os ratos os identificavam pela sua posição e não apenas com base no olfacto. Deste modo, os investigadores provaram que os animais recorriam à sua memória para repetir a lista por ordem.

Jonathon Crystal, que liderou a investigação, explicou à imprensa que os ratos completaram com sucesso a sua missão em 87% das vezes, o que prova que eles estavam a utilizar a memória episódica, ou memória de longo prazo, aquela que é mais afectada pelas demências e pelo próprio envelhecimento. É a memória episódica que nos permite recordar evento específicos e pela ordem em que estes aconteceram. Como quando perdemos determinado objecto e tentamos reconstruir o percurso que fizemos desde a última vez que nos lembramos de estar na sua posse.

 

A importância das memórias episódicas

Em experiências posteriores, durante as quais foi temporariamente desactivada a função do hipocampo (estrutura do cérebro que permite converter a memória de curto prazo em memória de longo prazo), confirmou-se que os ratos estavam a usar aquela parte do cérebro para cumprirem as suas tarefas.

«O motivo pelo qual estamos tão interessados nas memórias dos animais não é apenas para compreendê-las melhor, mas também para desenvolver novos modelos de memória que combinem com os tipos de memória ímpares em doenças humanas, como o Alzheimer», sublinhou aquele professor de Psicologia e Ciências Cerebrais da Universidade de Indiana.

De acordo com Crystal, é importante testar de forma fiável a repetição das memórias episódicas nos ratos, uma vez que as novas ferramentas genéticas estão a permitir a criação de ratos com condições neurológicas semelhantes às da doença de Alzheimer.

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