Comemoração

Aquário Vasco da Gama celebra 120 anos e renova o seu museu

A partir de Julho, algumas das salas do primeiro andar vão ser encerradas alternadamente para obras, prevendo-se a sua reabertura no outono. Aquário não vai ter mais tartarugas-marinhas ou lobos-marinhos vivos
Fátima Mariano
Aquário


(Fotos: Diana Quintela)

Há uma revolução silenciosa a acontecer no Aquário Vasco da Gama, no Dafundo (concelho de Oeiras), que celebrou o seu 120.º aniversário no dia 20 deste mês. A partir de Julho, algumas das salas do piso superior (onde funciona o museu) vão fechar alternadamente para obras, devendo reabrir ao público no outono com um ar renovado. O objectivo, disse ao jornal Os Bichos Paula Leandro, responsável pelo Serviço Educativo e Divulgação Cultural, é adaptar os espaços aos novos tempos.

«Vamos expor as peças de forma a que contem uma história, embora mantendo o aspecto de gabinete de curiosidades. Os armários, a iluminação, as legendas, tudo isto conta a história da evolução da museologia e queremos manter essa característica», explicou.

É neste piso superior que estão expostas a Colecção Aquário Vasco da Gama e a Colecção Oceanográfica do Rei Dom Carlos I, que incluem exemplares de diversas espécies, em especial de moluscos, peixes marinhos e de água doce, aves aquáticas, tartarugas e mamíferos marinhos. Como o cachalote-anão (Kogia breviceps) capturado em 1904 ao largo da baía de Cascais pelo próprio monarca e um grupo de pescadores.

Esta adaptação do Aquário aos tempos actuais verifica-se também na decisão de não serem mais exibidas tartarugas-marinhas (Cheloniidae) ou leões marinhos e focas vivos. «Uma das missões da nossa exposição é o bem-estar animal. Queremos inspirar as pessoas a protegerem o ambiente natural e percebemos que os visitantes já ficavam chocados ao ver esses animais aqui», refere Paula Leandro.

O último leão-marinho da espécie Arctocephalus pusillus viveu no Aquário durante 30 anos. Morreu em 2016. Quanto às tartarugas-marinhas, a última foi libertada em Novembro de 2017 ao largo de Aveiro. O tanque, agora vazio, vai ser preparado para receber tartarugas de água doce.

 

Aquário alerta contra a poluição

Como forma de alertar os visitantes para a necessidade de defender os oceanos, há um aquário apenas com objectos de plástico, desafiando quem por ali passa a imaginar como seria não existirem peixes debaixo de água. Todos os anos são lançadas cerca de 10 milhões de toneladas de lixo nos oceanos, com trágicas consequências para a fauna e a flora marinhas.

Aqui, no piso inferior, podem-se admirar diversas espécies vivas da fauna e da flora que habitam em ecossistemas de água doce, salgada e salobra, com especial destaque para os animais da costa portuguesa. Ao longo destes 120 anos de existência, o Aquário tem funcionado como uma espécie de inventário da fauna aquática nacional. Alguns dos exemplares foram oferecidos por pescadores, outros comprados e outros, nasceram já aqui.

No ano passado, o Aquário Vasco da Gama recebeu cerca de 50 mil visitantes, maioritariamente nacionais. «O Aquário está muito presente na memória dos portugueses. Quem nos visita estabelece uma relação familiar connosco. Há casos de pessoas que trouxeram cá os filhos e até os netos», conta Paula Leandro, que trabalha no Aquário há 30 anos.

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