120.º aniversário

Sabia que há um peixe do Aquário Vasco da Gama que recebe postais do tratador?

Há histórias curiosas sobre as espécies que estão ou estiveram neste museu vivo que por vezes escapam aos visitantes. Apresentamos-lhe aqui alguns:
Fátima Mariano
Aquário

 

O peixe-cão do Aquário Vasco da Gama é tão famoso que já houve um pedido de casamento feito junto ao seu aquário (Foto: Diana Quintela)
O peixe-cão que recebe postais do tratador

Das espécies vivas, é o exemplar mais antigo do Aquário Vasco da Gama. Chegou há cerca de 30 anos, ainda bebé, vindo do mar dos Açores. Mantém o mesmo tratador desde então. Os dois desenvolveram uma relação de amizade de tal forma estreita que quando o tratador vai de férias envia sempre um postal dirigido ao sr. Scrofa (o nome científico do peixe-cão é Bodianus scrofa). É tão famoso que já houve um pedido de casamento feito junto ao seu aquário. 

 

Os ovos do tubarão pata-roxa

Um dos aquários mais curiosos é aquele em que estão expostos os ovos do tubarão pata-roxa (Scyliorhinus canicula), pequenas cápsulas duras e semitransparentes (conhecidas como bolsas de sereia), que permitem observar o desenvolvimento do embrião. Geralmente, as fêmeas põem dois ovos de cada vez ao longo de várias semanas. Cerca de cinco a 11 meses depois (dependendo da temperatura da água), nasce o pequeno tubarão pata-roxa. Joel Canhão, assistente técnico de aquariologia, é o actual responsável pelos quatro casais desta espécie que estão em exposição. Garante que são animais amistosos, apesar de os tubarões, em geral, terem má fama. Alguns indivíduos, depois de um certo tempo de convívio, permitem que o tratador lhes faça festas e os alimente à mão, conta.

Os ovos do tubarão pata-roxa são também conhecidos como bolsas de sereia. Cada fêmea põe dois ovos de cada vez (Foto: Diana Quintela)

 

Sabia que os linguados têm os dois olhos no mesmo lado da cabeça?

Talvez nunca tenha reparado, mas o corpo dos linguados (Pseudopleuronectes americanus) tem duas cores e os olhos estão ambos no mesmo lado da cabeça. No Aquário Vasco da Gama poderá observar estas características com atenção. Estes animais têm o corpo achatado, o que faz com que nadem de lado. A parte inferior do corpo é prateada e a superior adquire o tom do fundo dos locais onde vive (aquilo que se denomina de mimetismo). Deste modo, conseguem despistar os predadores e emboscar as presas. Ao nascer, os linguados têm a morfologia típica dos peixes. À medida que crescem, o corpo vai ficando achatado e um dos olhos migra para o outro lado da cabeça (tanto pode ser para o lado direito como para o esquerdo).

Os linguados têm o corpo achatado, nadam de lado e têm os dois olhos de um dos lados da cabeça (Foto: Diana Quintela)

 

Gama, a última tartaruga-marinha viva

Em Novembro de 2017, foi libertada ao largo da costa de Aveiro a última tartaruga-marinha (Cheloniidae) viva do Aquário Vasco da Gama. Baptizada de Gama, estará por esta altura a chegar à costa americana, onde nasceu. Antes da sua devolução ao mar, esteve uns meses no Cento de Reabilitação de Animais Marinhos, em Ílhavo, onde lhe foi colocado um aparelho GPS. Paula Leandro confessa que se emocionou durante a libertação: «Foi arrepiante. Senti que ela estava feliz». Gama viveu 20 anos no aquário.

A última tartaruga-marinha do Aquário Vasco da Gama foi libertada em Novembro de 2017 ao largo de Aveiro (Foto: Diana Quintela)

 

A lula-gigante

Faz parte da memória de muitas gerações de Portugueses e ainda hoje marca os mais pequenitos quando visitam o Aquário Vasco da Gama. Esta lula-gigante (Architeuthis spp.) foi capturada pelos pescadores do arrastão Elizabeth, próximo da Terra Nova, a cerca de 130 metros de profundidade, em Julho de 1972. Mede 8,2 metros e pesa 207 quilos. A lula-gigante é o segundo maior invertebrado existente na Terra, sendo ultrapassado apenas pela lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni).

A lula-gigante foi capturada em Julho de 1972 próximo da Terra Nova. Ainda hoje encanta miúdos e graúdos (Foto: Diana Quintela)

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